terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

PANTERA NEGRA





PORQUE PANTERA NEGRA É UM FILME MEIA BOCA


Se alguém lhe disser que Pantera Negra é um filme político, pergunte:Qual é a lição política do filme? Difícil que consiga responder. Algumas possibilidades: é político porque mostra que nações poderosas têm a obrigação de doar para instituições de caridade dos desvalidos? Países da África bons são os países da África que têm dinheiro? Os outros são passíveis de doações e caridade e não têm contribuição a dar? Nações poderosas não podem vender armas ultraletais no mercado porque é prudente guardá-las para si? 

No filme, a grande esperança negra que é Wakanda (a potência africana secreta na qual o Pantera Negra é rei) detém alta tecnologia, alto conteúdo ético, alto debate de responsabilidades, tem representação na ONU, mas depende que um bem-intencionado agente da CIA (?) presencie suas boas intenções para reportar isso ao Grande Irmão Branco do Norte. Um dos dois únicos brancos da história tem a função de testemunhar que, sim, aqueles são bons pretos. Pior: sem ninguém que saiba pilotar um avião, Wakanda recorre justamente ao agente da CIA para detonar mísseis no ar, heroicamente. Se estou errado, digam-me: qual é exatamente o papel de Everett Ross (Martin Freeman) na trama toda?

Os furos do roteiro são muitos. Pantera Negra dispõe de uma poção ancestral que o faz “domar” um carro em alta velocidade, apanhá-lo pelos “chifres” e derrubá-lo como a um bezerro no rodeio, só que no asfalto. Mas quando ele usa essa mesma poção ancestral para enfrentar o vilão do filme, Killmonger, que não dispõe de poção alguma, ele leva uma surra. Aí, a mesma poção o “ressuscita” do mundo dos mortos e ele retorna ao combate e derrota o vilão. Explique essa.

É bonita a cachoeira de Foz do Iguaçu do filme? Olha, a cerimônia de coroação dá pinta de audiência de programa de auditório na TV. A África pode evoluir séculos à frente, mas na ficção de Hollywood sempre vai ter uma luta de tanga numa cachoeira com tambores e um homem-gorila desafiando a hereditariedade do Tarzan of the Apes do momento.

Filmes de super-heróis dependem de verossimilhança, algum senso de credibilidade. Claro que as grandes mirabolâncias fazem parte da trama, mas elas só fazem sentido se todo o resto ficar em pé. Se o heroi, com suas garras, transforma uma Mercedes sedã em conversível em 3 segundos, como é que ele berra de dor só com um arranhão de uma lança? Pantera Negra é fraco, embora divertido em alguns momentos. Mas um filme não se sustenta só com algumas gags e boa música. A principal batalha, com os rinocerontes marombados no meio, é risível.

Quanto à associação com o partido dos Panteras Negras, o filme é meio desleal. A citação é evidente em vários momentos, mas o verdadeiro Pantera Negra é o vilão, Killmonger. Sua sede de vingança precisa ser punida, não tem como prosperar. O filme só vê política na anuência, na concordância, na aceitação dos desígnios da geopolítica internacional.

Aceitando-se a tese de que é uma metáfora da entronização de Obama e sua família (Lupita seria Michelle, ativista por fora), é ainda mais chapa-branca. Equivale a um habeas corpus para Obama.


Vejam bem: essa é só UMA opinião, a minha opinião. Não ajam como doidos. Podem ficar com a outra opinião tranquilamente.

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